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terça-feira, 21 de março de 2017

Tribo da Amazônia possui o coração mais saudável do mundo, diz estudo

Índios da Amazônia boliviana têm cinco vezes menos arteriosclerose coronária (endurecimento das artérias) do que os norte-americanos

De acordo com um estudo publicado na revista científica The Lancet, o grupo indígena Tsimane possui as artérias coronárias mais saudáveis de todas as populações já estudadas e estima-se que um homem de 80 anos do grupo tenha a mesma idade vascular que um norte-americano de cerca de 50 anos.

No estudo, os cientistas sugerem que o abandono das dietas de subsistência e a opção por estilos de vida contemporâneos podem ser um fator de risco para as doenças cardíacas associadas à idade, tabagismo, colesterol alto, hipertensão arterial, inatividade física, obesidade e diabetes.

O estudo mostrou que os Tsimane têm "a menor prevalência de arteriosclerose coronária de qualquer população alguma vez estudada", disse o antropólogo Hillard Kaplan, da Universidade do Novo México, Estados Unidos.

"O seu estilo de vida aponta que uma dieta pobre em gorduras saturadas e rica em carboidratos ricos em fibras não processadas, em conjunto com o consumo de peixe (selvagem), não fumar e prática de atividade física ao longo do dia pode ajudar a prevenir o endurecimento das artérias do coração. Acreditamos que componentes deste modo de vida podiam beneficiar as populações sedentárias contemporâneas", acrescentou.

Os Tsimane têm um estilo de vida que envolve a caça, a pesca e a agricultura, passando apenas 10% do seu dia em inatividade, ao contrário das populações dos países desenvolvidos, que são sedentárias mais de metade (54%) das horas de vigília.

A dieta deste povo consiste basicamente (72%) em carboidratos não processados e ricos em fibras, como arroz, banana, mandioca, milho, nozes e frutas. A proteína constitui 14% da dieta e provém da carne animal e a gordura representa outros 14%. O tabagismo é raro.

O estudo foi feito em 85 aldeias dos Tsimane entre 2014 e 2015. Foram feitos exames de tomografia computadorizada em 705 adultos (entre os 40 e os 94 anos) e além de se verificar o endurecimento das artérias coronárias, foram feitos outros exames que incluíram a frequência cardíaca, a pressão arterial, o colesterol ou a glicose.

Os exames concluiram que 85% dos indígenas estudados não tinham risco de doenças cardíacas, incluindo os mais velhos (65% dos avaliados com mais de 75 anos). Os níveis de pressão arterial, colesterol e glicose também foram baixos.

Por comparação, um estudo com 6.814 americanos entre 45 e 84 anos indicou que apenas 14% não tinha risco de doença cardíaca.

Os investigadores sugerem que os resultados se devam a um estilo de vida e não à genética, já que se registrou um aumento gradual dos níveis de colesterol quando o estilo de vida teve uma mudança, provocada por maiores contatos da tribo com cidades vizinhas. Com informações da Lusa.



com informações do site lifestyleao minuto

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