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terça-feira, 21 de fevereiro de 2017

Galinhas são mais inteligentes do que se pensa; aves têm empatia e lógica

Quem vê as aves domésticas como animais estúpidos se engana. Estudo compara inteligência de galináceos à de primatas, apontando que galinhas são capazes de empatia, lógica e até um pouco de astúcia.



Galinhas e galos são incrivelmente inteligentes e entendem muito do que acontece no mundo à sua volta. Essa é a conclusão de uma recente revisão de literatura científica sobre a espécie, na qual se baseou um relatório da organização americana de proteção dos animais Farm Sanctuary. Sua iniciativa The Someone Project (O Projeto Alguém) visa gerar empatia pelos animais de fazenda, que há dezenas de milhares de anos vivem lado a lado com os seres humanos.

No caso específico, trata-se também de um apelo contra o método de criação em bateria. As cientistas comportamentais Lori Marino e Christina M. Colvin analisaram numerosas publicações para compilar um metaestudo sobre os galináceos. Segundo este, as capacidades cognitivas e emocionais das aves lhes permitiriam perceber tanto quanto crianças pequenas, primatas ou certos pássaros geralmente considerados muito mais inteligentes.

"A noção de psicologia galinácea, em si, é estranha para a maioria das pessoas", reconhece Marino, em artigo publicado na revista científica Animal Cognition. No entanto, a espécie é capaz de tirar conclusões lógicas a que crianças só chegam aos sete anos de idade. Portanto "galinhas são tão complexas cognitiva, emocional e socialmente como a maioria das outras aves e mamíferos, em muitas áreas".

Da aritmética à multitarefa
Segundo a ex-acadêmica Marino, que atualmente dirige um centro de defesa dos direitos dos animais, galos e galinhas são "comportamentalmente sofisticados", "possuem algumas aptidões aritméticas muito básicas" e "têm personalidades distintas".

Enfim, as propriedades de seu cérebro, do tamanho de uma noz, vão muito além do que se esperava. Um dos estudos examinados pela dupla de pesquisadoras deduz que até mesmo pintos sabem contar. Um teste com ovos de plástico amarelos mostrou que, no mínimo, os filhotes recém-chocados percebem a diferença entre um conjunto de objetos maior e um menor. As galinhas também parecem dotadas de uma capacidade abrangente de pensar tridimensionalmente e, até certo ponto, de multitarefas.

Elas conseguem procurar comida ao mesmo tempo em que avaliam quão amigável ou hostil um outro animal é, enquanto simultaneamente vasculham o céu para se proteger de eventuais aves de rapina.

Ao que tudo indica, seu órgão sensorial mais importante é o bico, com uma capacidade fenomenal de reagir ao paladar, olfato e tato. Qualquer dano a ele envolve grande sensação de dor.

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