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segunda-feira, 9 de julho de 2018

Casagrande cobra Neymar: "Falar via Instagram é fácil e pouco significa"



Camisa 10 e principal jogador da seleção brasileira, Neymar foi criticado durante a maior parte da Copa do Mundo, mesmo tendo feito dois gols e sido um dos jogadores com mais ações ofensivas no Mundial. As reações exageradas após sofrer faltas e o contato quase nulo com a imprensa durante o Mundial e após a eliminação para a Bélgica na última sexta-feira (6) foram citados por Walter Casagrande neste domingo (8).

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Em coluna para a revista GQ, o comentarista da Rede Globo pediu para Neymar chamar a responsabilidade para si também após revezes, além de condenar a postura do coordenador Edu Gaspar, que afirmou sentir pena do astro da seleção e do Paris Saint-Germain.

"Falar via Instagram é fácil e pouco significa. Num país como o Brasil, onde a desigualdade é enorme e o futebol é um dos poucos escapes da população, esperança e frustração caminham lado a lado, seja na torcida do clube de coração ou da seleção. Quem quer liderar, precisa estar presente também nas horas difíceis e saber se portar diante das cobranças", escreveu.

Além de usar o exemplo de outros jogadores da seleção brasileira, que falaram após a derrota por 2 a 1, o comentarista também citou Cristiano Ronaldo como um exemplo de líder que não se escondeu após a eliminação de Portugal contra o Uruguai nas oitavas de final da Copa.

"Aos 26 anos, ele está muito mais preparado do que antes, mas distante do que deveria estar. Falar ao seu povo após uma derrota dolorida, mas honrada, era o mínimo. Muitos o fizeram com a dignidade esperada. Casos de Paulinho, Marcelo, Renato Augusto, Miranda. Outros, é verdade, falharam como ele. Messi é o principal mau exemplo neste sentido. Cristiano Ronaldo, evitou o oba oba das vitórias, e apareceu na hora da derrota."

Casão fez questão de "discordar radicalmente" da blindagem que a CBF fez em cima do craque, e crê que Neymar já aprendeu a lidar com a pressão. "Sabe como ninguém a dificuldade de ser jogador de grandes clubes. Sentiu isso quando se tornou protagonista do Santos, quando saiu de lá para ir ao Barcelona, onde ganhou a Champions, Mundial de Clubes, entre outros, e mais recentemente ao ir para o PSG, numa das mais caras transferências do futebol mundial. Não dá para ter pena, né?"

O comentarista afirmou que não dá para olhar para as condições de um trabalhador típico no país e dizer que Neymar sofre muito.

"Eu não queria estar na pele é de um típico trabalhador brasileiro, que precisa acordar às 5hs, 6hs da manhã todos os dias, tomar um pingado e pegar três conduções num transporte público precário só para chegar ao trabalho. Quem, que no final do mês ainda precisa fazer as contas, porque o seu salário mínimo tem de ser dividido entre as despesas básicas, compras da casa, material escolar para os filhos, não gostaria de estar na pele de um jogador?".


Com informações do site Uol

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